domingo, 9 de agosto de 2015

O ódio de classe e a reação conservadora das novas e velhas elites



O cotidiano vem mostrando que nenhuma forma de poder se esgota nas suas esferas governamentais e a luta política, por sua vez, se estabelece para além dos períodos eleitoreiros. Enganam-se quem acredita que os domínios do poder político se encerram na burocracia e nos órgãos estatais, pelo contrário, nesses espaços temos apenas projeções que são lançadas a partir das instituições e dos aparelhos ideológicos que nos cercam. E o golpismo político que estamos vivenciando é uma das provas disso.

As críticas e o denuncismo que estão sendo colocadas contra os governos populares que se estabeleceram nos países da América Latina, sobretudo no Brasil, não se efetivam à luz da realidade concreta. Todos os discursos colocados contra as políticas afirmativas, sociais, inclusivas e distributivas são reações conservadoras que se oxigenam muito mais pelos processos históricos e sociais  que constituíram os padrões culturais hegemônicos da população, do que pela vida real.

O ódio de classe que estamos vivenciando é exemplo disso. Os estratos sociais que tradicionalmente usufruem dos prestígios e das riquezas da sociedade, ainda que mantido seus status, não conseguem conceber a inclusão e a mobilidade social de outros setores. Não aceitam que as classes populares acessem os mesmos serviços ou consumam os mesmos bens que a outrora eram exclusivamente seus. As reações a essas mudanças são violentas, sobretudo simbolicamente.

Esse estranhamento é justificado pelos valores culturais que, embora existentes, não são socialmente expressos. Há um conservadorismo tácito. Esse reside nos olhares, nas reprovações morais e nas relações privadas dentro das "salas de jantar" das tradicionais e médias famílias brasileiras. E a medida em que esses valores são colocados em xeque e enfrentados, a reação conservadora ganha força, descortinando as raízes dos processos históricos e sociais que alicerçam a sociedade.

Em meio ao atual cenário e as tentativas de desestabilização dos governos de esquerda a partir de imposição de golpes e judicialização/criminalização da política (e da esquerda) é preciso considerar que os países latinos ainda convivem com várias chagas herdadas de um passado não tão distantes. A maioria desses países viveram fases de exploração colonial, efetivação de um capitalismo tardio e por vias prussianas de desenvolvimento à luz de valores imperialistas. Esses fatos influenciaram junto a outros fatores de ordem cultural, a construção de um tecido social conservador, sexista, patriarcal e racista. 

Diante disso, incluir a população negra nas universidades, desafiar os obstáculos e enfrentar os grilhões postos para as mulheres visando a sua eterna submissão ao julgo masculino, criar políticas de assistenciais e aumentar o poder de compra das classes sociais mais pobres são alguns exemplos que, ao serem efetivados pelos governos populares desencadeou a reação conservadora e instituiu o ódio de classe que vivenciamos nos últimos meses.

O problema não é na forma e na condução do governo ou da gestão do Estado. A crise é axiomática, produzida pela dialética. O Estado ainda é o mesmo, seus vícios ainda persistem, mas a luta de classes vem se acentuando trazendo riscos eminentes para os governos progressistas e populares.

Para acentuar esses embates, temos uma crise econômica do Capital que nesse ambiente de hostilidade, se tornou objeto político e contextualiza a ascensão de pautas atrasadas e desconectadas com o interesse da classe trabalhadora. Ao invés de vivenciarmos um momento propositivo para apresentação de novas alternativas à política econômica, visto que o atual sistema está mostrando sinais evidentes de falência, o que se percebe é uma reafirmação de visões conservadoras e anacrônicas ao nosso tempo.

Nesse contexto, enfrentar os desafios postos e desestruturar a moral burguesa instituída é o centro desse debate. A luta de classe está presente nos mais diversos espaços, do parlamento à mesa de bar. Precisamos ganhar uma das mais árduas batalhas, pois é o desenvolvimento das forças produtivas e a continuidade das mudanças que estão em jogo. E para isso, entender a luta política na sua real complexidade, fazer a reflexão e o entendimento da vida concreta e estabelecer bem os conceitos e as práticas revolucionárias de nosso tempo, são exercícios essenciais para acumularmos forças, ganharmos aliados e enfrentar com coragem, as reações conservadoras que estão travando o desenvolvimento e a soberania do povo.

Por Wallace Melo - Secretário de Comunicação Social do Sinpro - Pernambuco e Secretário de Jovens Trabalhadores da CTB/Pernambuco.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um país que luta por reformas:Reformas Políticas Democráticas e Eleições Limpas


 Por Wallace Melo

Iniciou-se na última sexta-feira (20) um importante processo de mobilização e debate a respeito da necessidade de se construir um novo panorama social no país, a partir de uma ampla reforma política democrática e através da instituição de processos eleitorais libertos dos nebulosos financiamentos praticados elos grandes setores empresariais, no intuito de garantirem a defesa, ampliação e materialização dos seus interesses e privilégios dentro diversos espaços institucionais.

Diante dessa conjuntura, a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, espaço que congrega várias entidades representativas, a exemplo da OAB, CNBB, CTB, CUT, CONTEE, UNE, UBES, MST etc. realizará entre os dias 20 e 29 de março uma grande semana de mobilização nacional, visando ampliar o debate sobre projeto de Lei nº 6316/2013 e coletar assinaturas para assim fortalecer a legitimidade do PL perante os diversos segmentos e setores da população.

Temos aqui uma iniciativa significativa e relevante para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, uma vez que, dentro desse processo, o que está em jogo são as regras de regulam a participação, o voto, a transparência eleitoral e a representação política nas estruturas e instituições brasileiras, além disso, também é necessário pontuar que o PL 6316/2013 representa o conjunto de questionamentos feitos sobre a PEC 344/2013 e a 352/2013, emendas essas que materializam a intenção de consolidar dentro do sistema eleitoral brasileiro um conjunto de elementos que ferem a democracia e a legitimidade dos partidos e da representação no país.

Dentre as propostas contidas no PL 6316/2013 podemos destacar os seguintes pontos: necessidade de se proibir o financiamento de campanhas políticas por empresários e adoção de um sistema de financiamento democrático de campanha, eleições proporcionais em dois turnos, paridade de gênero na lista pré-ordenada e fortalecimento dos mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade nos importantes espaços de decisões nacionais. Temos no projeto de lei, um conjunto de pautas que estão na ordem do dia do povo brasileiro, no entanto ainda é necessário que essas sejam colocadas na agenda pública do Estado.

Esses elementos, se materializados a partir dessa reforma, trará para o Estado brasileiro uma dinâmica mais legítima, democrática e transparente, sendo capaz de oferecer à população um poder de decisão e participação muito maior e mais eficiente, possibilitando assim, que acumulemos mais forças para que se concretize outros avanços e reformas necessárias, assim como o combate às desigualdades e contradições sociais que estão historicamente presentes no cotidiano dos brasileiros.

Diante disso, é preciso que nesses dias, ampliemos as mobilizações e a articulação política com representantes do poder legislativo municipal e estadual (vereadores e deputados estaduais), bem como, com outros segmentos da sociedade civil e entidades para que também manifestem seu apoio ao projeto, divulguem seus objetivos, debatam com o povo, promovam atividades públicas e coletem assinaturas, para que assim, o Projeto de Iniciativa Popular da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas seja colocado como alternativa real à PECs da contrarreforma que foram apresentadas e que – para a felicidade dos setores mais reacionários - estão sendo debatidas pelos parlamentares que compões o Congresso Nacional.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cuba um exemplo a ser seguido

Por Jocimar Gonçalves

A história nos mostra que só com a luta é possível alcançar o que tanto almejamos. O povo cubano é um exemplo vivo disto: durante cinquenta e seis anos, esta pequena ilha localizada na América Central com uma população média de 11,2 milhões de habitantes travou grandes lutas para levar a todos uma vida digna e igualitária, e foi necessária uma verdadeira revolução para que esse sonho fosse conquistado. Logo após esta conquista os cubanos sofreram um grande golpe devido ao bloqueio econômico, imposto pelos Estados Unidos da América (EUA), a fim de forçar a ilha a se entregar, voltando assim, a ficar nas mãos de uma minoria as riquezas de todos. O único país com o qual esta ilha socialista manteve seu comércio ativo foi a antiga União Soviética (URSS) que importava os principais produtos cubanos, por exemplo, açúcar, arroz e tabaco.

Contudo, com a desintegração da URSS, em 1991, Cuba passou a enfrentar diversos problemas de cunho econômico. Mas o povo resistiu bravamente. Além disso, os ianques, como são chamados os norte-americanos, ainda mantiveram presos cinco cubanos usando acusações de terrorismo como justificativa, quando na verdade, estes homens estavam a serviço de seus país protegendo sua soberania. A pior de todas as contradições é que o país mais terrorista que existe são os EUA, que impõem sanções absurdas contra aqueles que ousam desafiá-los. Sem falar nos gastos exorbitantes com armas e bombas que oficialmente é muito difícil tomar conhecimento do verdadeiro montante orçamentário que os norte-americanos gastam em armas, mas especula-se que gire em torno de US$ 1,1 trilhão de dólares que obviamente não serão utilizados para fins pacíficos.

No dia 17 de Dezembro 2014 após cinquenta e três anos do embargo econômico, o mundo foi surpreendido com a notícia de que o presidente americano Barack Obama assinara um decreto que derrubaria o embargo que impediu o desenvolvimento de Cuba em diversos âmbitos. Ficamos imaginando como uma pequena ilha que sofreu todos esses ataques conseguiu resistir a maior potência bélica do universo, e fez com que sua história não se resumisse nos livros apenas em uma revolução armada; O povo foi muito além e estendeu essa revolução à educação, tornando-a exemplo para o mundo, garantindo sua distribuição com qualidade desde a pré- alfabetização até ao nível superior; e à saúde que é realmente oferecida como direto de todos e com qualidade. Uma prova disso é que o atual governo brasileiro fez um acordo com o referido país com o intuito de trazer médicos para o Brasil, para atuar em áreas onde antes não havia sequer perspectiva de uma vida saudável, dentre outras necessidades.

Hoje o que se esperar com o fim do embargo econômico é que a ilha cubana possa mostrar para todos que é possível garantir uma vida digna e igualitária, onde todos trabalham e todos ganham, diferente do sistema capitalista em que vivemos, onde passamos a vida toda nos dedicando ao trabalho e apenas uma pessoa, "o patrão", é que realmente usufrui dos frutos desse trabalho. Tão contraditório é este sistema que faz com que muitos levantem arranha-céus sem sequer possuir um teto para abrigar suas famílias.

Tomemos os cubanos como exemplo e arregacemos as mangas rumo a um Brasil igual, soberano e livre de todas as mazelas desse sistema. Sim, é possível! Muitos vão nos falar que isso é que coisa de comunistas, outros vão preferir ouvir o que os meios de comunicação de massa têm a dizer mas, se ousarmos transformar nossas ideias e pararmos para pensar o quanto o nosso país é rico e que essa riqueza fica apenas a disposição de uns poucos, mudaremos nossa opinião. 

Lembremos que no país, apenas cinco famílias são "donas" de toda riqueza que existente em nossa pátria, juntas somam 122 bilhões de dólares ou o equivalente a 5% do PIB, são elas: A família Marinho (rede globo), família Safra (banco safra), família Ermirio de Morais (grupo Votorantim), família Moreira Salles (banqueiros) e a família Camargo (Camargo Corrêa), será que eles são os verdadeiros donos? Ou somos nós que nos levantamos todos os dias ás cinco da manhã para ir trabalhar, chegamos em casa após às 19 horas e nem sequer temos tempo para aproveitar nossas famílias. Nossos salários são suficientes somente para pagar as contas como água, luz e aluguel. E onde fica nosso direito a lazer que é constitucional? Pergunte-se qual foi a última vez que você saiu com sua família para aproveitar um fim de semana? Falando em fim de semana, até isso estão nos tirando, somos obrigados a trabalhar até nos sábados e domingos para bater metas, detalhe, metas que somente deixarão nossos patrões mais ricos. Na bandeira do Brasil vê-se gravada a frase "Ordem e Progresso". A ordem mal existe. O progresso, se existe, é somente para os ricos. Por isso precisamos continuar lutando. Precisamos nos organizar nos sindicatos, associações, entidades que lutem pelos direitos de todos; Está chegando a hora de os brasileiros mudarem sua história, seja de forma pacifica, ou a exemplo do heroico povo cubano.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

'Pelo amor de deus, não vá ao banheiro’

Na unidade da Contax no Recife, atendentes de telemarketing fazem questão de falar: assédios, doenças físicas e psicológicas, intervalos muito curtos para as refeições…

Armários reservados aos trabalhadores, onde eles guardam marmitas e bolsas.
Foto: Igor Ojeda

Recife (PE) - “Pelo amor de deus, pelo que você mais ama no mundo, não vá ao banheiro”, é o que Gislaine* já ouviu algumas vezes de sua supervisora em uma das unidades da Contax do Recife (PE), onde trabalha como atendente de telemarketing da operadora de celular Oi.

Em geral, o apelo acontece em dias de medição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), uma vez ao mês. Mas as restrições às idas para satisfazer as necessidades fisiológicas são cotidianas. “Por duas vezes já fiz xixi nas calças, na rua, porque fiquei segurando durante o dia”, conta a jovem à Repórter Brasil.

Na Contax, os funcionários têm de cumprir pausas programadas: 20 minutos para as refeições e dois intervalos de 10 minutos cada. Fora desses horários, as pausas são consideradas pessoais e, por isso, o trabalhador pode perder parte de seu salário e até levar suspensões. “A gente é muito perseguida, monitorada, temos de trabalhar em cima de metas. Não pode ir no banheiro, é como se estivesse prejudicando a supervisora. A minha disse que eu só poderia ir se estivesse muito, muito, muito, apertada. ‘Você venha falar comigo e eu vejo se você pode ir’”.

Em maio de 2013, a Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Pernambuco (SRTE/PE) nas unidades da Contax no Recife. Em outubro do mesmo ano, a ação se tornou nacional e culminou, em dezembro de 2014, na autuação de sete empresas de telecomunicações e do setor financeiro por inúmeras violações trabalhistas. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) responsabilizou Oi, Vivo, Santander, Itaú, NET, Citibank e Bradesco por considerar ilícita a terceirização dos respectivos serviços de teleatendimento.

O site Santo Amaro, a maior unidade da empresa na capital pernambucana, chama a atenção pela imponência. Ocupa metade de um quarteirão no bairro de mesmo nome, na região central da cidade. Seja pelo lado de fora, seja pelo lado de dentro, o prédio lembra um shopping center. No interior, escadas rolantes quase sempre cheias de gente. Cerca de 15 mil trabalhadores se revezam pelos três turnos do dia. A unidade está aberta 24 horas por dia. As salas são separadas por divisórias de vidro e cada uma é reservada para uma só empresa. Os operadores de cada contratante nunca dividem o mesmo espaço. Dentro, um sem-fim de postos de atendimento enfileirados.

A circulação é intensa. Ao perceberem a presença dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho, acompanhados de agentes da Polícia Federal, dezenas de pessoas, em sua grande maioria mulheres jovens, se aproximam. E começam a falar sem parar sobre os abusos sofridos. A sensação é de que têm muito o que dizer, mas precisam voltar da pausa programada a qualquer momento. Falam da impossibilidade de irem ao banheiro quando querem. Uma das jovens, com a barriga de grávida já bastante proeminente, reclama que sua condição exige diversas idas ao sanitário. Já se conformou em não ganhar a chamada remuneração variável por isso. Mesmo assim, sofre assédio de sua supervisora.

Outras criticam o estabelecimento de metas impossíveis de serem cumpridas, os poucos minutos que têm para almoçar ou jantar, os xingamentos e gritos que ouvem dos superiores, os problemas no ouvido, na coluna e nas articulações que adquiriram por conta do trabalho que fazem. Lembram que os médicos do trabalho contratados pela Contax são coniventes com a empresa e muitas vezes não fornecem atestado médico.

Filas para usar o microondas em uma unidade da Contax no Recife (PE)
Foto:  Igor Ojeda
Nas áreas de refeitório, aparelhos de microondas servem para os funcionários esquentarem suas marmitas, que estavam acondicionadas junto com bolsas e outros pertences pessoais em pequenos armários de ferro nos corredores. São muito poucos aparelhos para muita gente, formando filas de espera de cinco a dez minutos – para um intervalo para refeições de 20 minutos, é bom lembrar.

Gislaine sofre muito com essa realidade. “Não aguento mais, tenho crises de choro, vivo angustiada, com medo de ficar doida. Me sinto perseguida, ameaçada”, diz. “Quando estou em casa choro porque sei que no outro dia vou ter de ir trabalhar.” Além dos problemas psicológicos, a jovem padece de dores nas costas. Mas, quando se queixa, a supervisora a chama de mentirosa. “E a empresa ameaça os médicos. Fui tirar radiografia da coluna, pedi atestado mas o médico disse que não estava autorizado a fornecê-lo.”

Segundo Gislaine, as pressões contra ela aumentaram desde que souberam que ela queria ser demitida. “Quando eles sabem que a gente quer sair eles monitoram mais. Acho que estão me pressionando para eu mesma me demitir”, diz. A jovem atendente de telemarketing diz que um dos principais objetivos dos funcionários que trabalham na Contax é encontrar o que chamam de “degrau da rua”. Ou seja, ser demitido sem justa causa.

* Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada
** Reportagem atualizada às 17hs de 23/12/2014 para acréscimo de informações

Por Igor Ojeda
Fonte: Repórter Brasil

Um ano de muitas lutas e uma grande vitória política



Chegamos ao fim de mais um ano comemorando, em 12 de dezembro, o sétimo aniversário da CTB, com a consciência do dever cumprido. 2014, um ano de muitas lutas, terminou coroado com a quarta grande vitória do povo brasileiro nas eleições presidenciais. A reeleição de Dilma Rousseff afastou o risco de retrocesso neoliberal e garantiu a continuidade do novo ciclo político inaugurado com a posse de Lula em 2003.

A nova derrota tucana livrou o Brasil das receitas recessivas, temperadas por demissões em massa, fim da política de valorização do trabalho e dos salários, flexibilização da legislação trabalhista, perseguição e criminalização das lutas sociais, restauração de uma política externa subserviente aos EUA e União Europeia, privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras.

Luta de classes
Por essas e outras razões é que consideramos a reeleição de Dilma como uma grande vitória da classe trabalhadora. A burguesia em geral, e em particular os barões da mídia golpista, banqueiros, especuladores, testas de ferro das multinacionais, bem como velhos e novos latifundiários, apoiaram Aécio Neves. Embora divididos e em certa medida desnorteados pela campanha midiática, associada ao terrorismo no mercado de capitais, os trabalhadores e trabalhadoras votaram majoritariamente na presidenta.

Mas das urnas não emergiram apenas boas novas para o Ano Novo. As eleições parlamentares resultaram no avanço das forças conservadoras. A correlação de forças no Congresso Nacional, que já não era boa, sofreu um notório revés e tornou-se ainda mais adversa aos interesses da classe trabalhadora. O ambiente tornou-se mais favorável às forças conservadoras, hostil aos projetos oriundos dos movimentos sociais, partidário da agenda regressiva apresentada por porta-vozes do patronato.

O avanço da direita e da extrema direita, na onda do denuncismo e do falso moralismo, também se refletiu no resultado final da eleição presidencial. Nota-se uma crescente radicalização da luta de classes no Brasil e no mundo, bem como das contradições e conflitos internacionais, fenômenos que têm por pano de fundo a crise econômica e geopolítica do sistema capitalista mundial, que já faz sete anos e, de resto, evidencia os limites históricos do modo de produção burguês e a necessidade objetiva do socialismo.

Avançar nas mudanças
A leitura classista da conjuntura indica que é indispensável avançar nas mudanças para consolidar o que foi conquistado ao longo dos últimos 11 anos, evitar futuros retrocessos e viabilizar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, soberania e democracia, que compreende também a integração da América Latina e a transição para uma nova ordem internacional.

Temos pela frente o grande desafio de elevar o grau de consciência e mobilização da classe trabalhadora e do povo brasileiro, aprofundar as mudanças e lograr o atendimento de demandas históricas do nosso povo e das centrais traduzidas na pauta aprovada em junho de 2010 na 2ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).

A Conclat aprovou uma agenda classista por um novo projeto de desenvolvimento fundado na valorização do trabalho, na soberania e na democracia, daí extraindo uma pauta unificada. Nela, as centrais propõem mudanças na política econômica (com o fim do malfadado supe­rávit primário; a redução substancial dos juros; o controle do câmbio; a taxação das remessas de lucros); a extinção do fator previdenciário; mais inves­timentos no SUS, bem como na educação e transporte públicos; reformas democráticas (política, agrária, urbana, tributária, da educação e do Judiciário); integração soberana da AL; democratização da mídia; redução da jornada de trabalho sem redução de salários; rejeição do PL 4330, que escancara a terceirização; igualdade de oportunidade para homens e mulheres; fortalecimento da agricultura familiar; ratificação e regulamentação das convenções 158 e 151 da OIT.

Somente com grandes mobilizações e lutas sociais será possível romper a resistência e a contraofensiva da direita neoliberal e das forças conservadoras. Precisamos politizar e envolver a juventude trabalhadora nas batalhas políticas, ganhar as ruas, praças e avenidas para derrotar a direita golpista e neoliberal, avançar na direção de uma reforma política democrática, da democratização da mídia, da concretização da pauta unitária das centrais e das transformações que a classe trabalhadora e o povo brasileiro reclamam.

Sete anos de luta
O balanço que fazemos da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) em 2014, bem como dos seus sete anos de fundação, também é positivo. Foram sete anos de muitas lutas, coerência classista e ênfase na unidade da classe trabalhadora e do movimento sindical brasileiro. Nossa central é a que mais cresceu no Brasil entre 2008 e 2013, segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Contamos hoje com mais de 1000 entidades filiadas, muitas ainda em processo de regularização do cadastro no ministério.

Buscando caminhar em unidade com as demais centrais sin­dicais, a CTB tem se empenhado na mobilização e conscientização das suas bases, buscando sempre elevar o nível de intervenção e o protagonismo da classe trabalhadora na luta política nacional.

A direção realizou e aprovou o planejamen­to estratégico, constituiu o Centro de Organização, Apoio e Logística às Entidades Sindicais (projeto Coral), enfatizando o apoio às CTB’s estaduais. Ampliou os investimentos na Comu­nicação, viabilizando novos projetos gráficos e editoriais para o Portal CTB, as revistas Visão classista, Mulher D’Classe, Rebele-se e Juventude CTB e a publicação do Jornal Olho crítico, com uma tiragem de 100 mil, que inicialmente dialoga mais com a população paulistana, em especial usuários do Metrô, mas com a pretensão de estender seu alcance para todo o país. Prevalece a compreensão de que a Comunicação é um fator decisivo para tornar mais eficiente a nossa propaganda e dialogar mais e melhor com as bases e a sociedade. O papel político da mídia ficou ainda mais claro nas eleições presidenciais deste ano.

Unidade interna
As reuniões da direção executiva e plena sempre foram pautadas por um espírito de unidade na diversidade e respeito às diferentes opiniões dos dirigentes da Central, que por natureza é plural e autônoma em relação aos partidos políticos, contando entre seus filiados partidários de diferentes organizações políticas, além de sindicalistas independentes. As decisões políticas e orientações são atualizadas de forma plural, democrática e coletiva.

No terreno das propostas aprovadas no 3º Congresso, realizado em agosto de 2013, referendadas no Planejamento Estratégico Situacional (PES), destacam-se as prioridades atribuídas à Comunicação e Formação. A concretização do pro­jeto de criação da Escola Nacional da CTB, com foco na formação política da juventude trabalhadora e em estreita parceria com o Centro de Estudos Sindicais (CES), é o principal desafio para 2015. Também colocamos em prática a ideia do mandato itinerante, realizando em dezembro a reunião da Direção Nacional e a comemoração dos sete anos da nossa Central na capital da Bahia.

A compra da sede própria, a implantação do Posto Avançado de Ação Sindical e Institucional (Passi), um espaço de apoio e logística para os dirigentes e movimentos sociais que atuam em Brasília, bem como ponto de articulação política e de pressão junto ao Congresso Nacional, devem inaugurar uma nova fase da central.

Na frente internacional a CTB tem uma das mais importantes tarefas em seus sete anos de existência, que é realizar no Brasil em outubro de 2015 o Encontro Sindical Anti-imperialista e o Simpósio Internacional da Federação Sindical Mundial (FSM) que completa seus 70 anos de luta no dia 3 de outubro do próximo ano. Prevê-se a participação de 200 sindicalistas estrangeiros e representação de 50 países.

A reunião do Conselho, prevista para 2015, deve se constituir numa ferramenta fundamental de atualização da nossa plataforma política e do plano de lutas, elementos substanciais para a vida orgânica e política da Central.

Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil-CTB
Fonte: Site da CTB

Luciana Santos: Luta de classes ficou evidenciada nas eleições 2014

A vice-presidenta do Partido Comunista do Brasil e deputada federal reeleita, Luciana Santos (PCdoB-PE), faz uma análise política deste ano. Ela destaca a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, fala do golpismo midiático praticado pela imprensa tradicional e comenta a importância da regulação dos meios de comunicação para aumentar a participação dos movimentos sociais que tem crescido graças à continuidade dos governos progressistas no Brasil.


FONTE: Portal Vermelho