domingo, 25 de outubro de 2015

25 de outubro - Dia da Democracia: 40 anos da morte de Vladimir Herzog

Por Wallace Melo Barbosa

Quem imaginaria que a fotografia do jornalista Vladimir Herzog morto iria se transformar em um dos símbolos mais marcantes dos anos de chumbo (1964/1985). Com certeza, a imprensa ditatorial não esperava que a explicação oficialmente construída acerca da morte do então chefe de redação da TV Cultura de São Paulo, não iria convencer a população e a tese de que Vlado teria cometido um suicídio somente reforçaria a opinião de que estávamos vivendo em um país em que as liberdades e os direitos civis eram tolhidos e o governo tirava a vida de qualquer um que se colocasse à frente dos interesses imperialistas que alicerçavam a ditadura civil militar.

Vladimir Herzog não se suicidou. Foi assassinado pelos militares. Morreu em virtude dos maus tratos, das lesões e das sessões de tortura que sofreu quando foi preso nas dependências do II Exército (DOI CODI), após se apresentar aos militares, na manhã do dia 25 de outubro de 1975.

Entretanto, somente em 2014 que a tese do suicídio foi refutada oficialmente, em virtude dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Somente no ano passado que o Atestado de Óbito do jornalista foi corretamente corrigido, sendo retirado do documento, o suicídio enquanto causa da morte e atribuído ao Estado brasileiro o assassinato do jornalista. De acordo com o laudo pericial indireto construído pelos peritos da Comissão, Herzog “foi inicialmente estrangulado, provavelmente com a cinta citada pelo perito criminal e, em ato contínuo, foi montado um sistema de forca uma das extremidades foi fixada a grade metálica de proteção da janela e, a outra, envolvida ao redor do pescoço de Vladimir Herzog, por meio de uma laçada móvel. Após, o corpo foi colocado em suspensão incompleta de forma a simular um enforcamento".

O assassinato de Vlado causou uma grande reação por parte de vários setores da população, naquele momento ficou nítido para muitos que as mortes e o desaparecimento de lideranças políticas, estudantes, trabalhadores, camponeses etc. estavam correlacionados diretamente aos excessos cometidos pela ditadura militar. Regime político que se fortaleceu no país, a partir do silêncio, do sangue, do suor e das lágrimas dos brasileiros que viveram nesse nebuloso período da história.

Vlado Herzog nasceu na Iugoslávia em 1937 e junto com sua família, mudou-se para o Brasil, a fim de fugir das perseguições que sofriam por serem judeus, ainda no contexto da Segunda Guerra Mundial. Posteriormente se naturalizou brasileiro, formou-se em Filosofia pela USP e trabalhou para o jornal Estado de São Paulo, BBC e TV Cultura.

Herzog tornou-se um símbolo importante para o país. E foi em sua homenagem que o dia 25 de outubro (data em que o jornalista foi assassinado) passou a ser considerado como o “Dia da Democracia” no Brasil.

Para nós, lembrar e refletir sobre essa data significa muito mais do que relembrar ou condenar os excessos cometidos pela ditadura. O sentido desse dia se estabelece a partir da necessidade que temos em reafirmar a defesa da democracia e da soberania nacional. Considerações essas que ganham um significado ainda maior para nossa contemporaneidade, haja vista o atual contexto político turbulento e a emergência de uma onda conservadora e fascista no país, que defendem a privatização das riquezas nacionais, a dependência e o retorno da ditadura. Tomemos cuidado, pois a serpente já furou a casca.

domingo, 18 de outubro de 2015

Defender um projeto de Brasil com conteúdo programático e na perspectiva de uma transição ao Socialismo

Por Wallace Melo Barbosa

Defendo a democracia e os avanços sociais que só se tornaram realidade no país, após as vitórias eleitorais do povo, ocorridas inicialmente nas eleições presidenciais de 2002, quando elegemos Lula presidente. Defendo um Brasil que tenha a cara do povo brasileiro, dos negros, dos indígenas, dos camponeses, dos homossexuais, dos trabalhadores, dos moradores das periferias etc.

Por outro lado, sou contra aos partidários do caos, aos que estão impondo uma agenda nebulosa e prejudicial ao povo brasileiro. Que estão querendo vender a Petrobrás para os estrangeiros e rifar nossas riquezas.

Não quero viver em um país cuja política seja construída por meio de golpes em detrimento ao que foi decidido nas urnas. Não quero viver em um Brasil, onde acusações são jogadas pela mídia burguesa (que tem lado) e são adotadas como "verdades" sem ao menos existir provas ou quaisquer base jurídica. Não topo o conservadorismo, a meritocracia, nem o ódio de classe.

Enfim, defendo a soberania nacional, as reformas estruturantes, a valorização dos salários, o pleno emprego e o avanço nos direitos sociais e trabalhistas. Defendo o retorno ao desenvolvimento e, sobretudo, a emergência de um projeto de transição política rumo ao socialismo, alicerçado sobre diretrizes de um governo popular.

Reafirmo meu apoio a um projeto de Brasil que seja pautado pela inclusão social, pela ampliação do Bolsa Família, com mais enfrentamento à fome e a miséria e a partir das políticas de transferência de renda. Defendo o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida, a Transposição do Rio São Francisco, o Vale Cultura, as cotas e os 10% do PIB para a educação!

Quero viver em um país que tenha uma efetiva política de fortalecimento e ampliação das Escolas Técnicas, Institutos e Universidades Federais; com muita oferta de cursos profissionalizantes, graduações, pós-graduações e mais investimento na Ciência, Tecnologia e Inovação, para assim superarmos os problemas estruturais que atingem principalmente os mais humildes.

Quero viver num país que tenha muita participação social, com mais conferências e conselhos de políticas públicas, onde a população possa contribuir para o bem coletivo de forma mais eficiente, eficaz e democrática. Um Brasil com mais mulheres, jovens, negros e trabalhadores inseridos na política, com representação nas instâncias decisórias (parlamentos, assembleias legislativas, câmaras municipais etc.) e libertos do nefasto financiamento empresarial de campanhas.

A sociedade que quero viver não é uma utopia, pelo contrário, ela pode ser construída, a partir da elevação do nível de consciência política das pessoas, da ampliação das formas de organização popular, com acúmulo de forças revolucionárias e pela construção de um projeto de transição norteado por um conteúdo programático socialista.

domingo, 6 de setembro de 2015

Frente Popular reúne o Brasil em Belo Horizonte

Carina Vitral, da UNE, fala na mesa de abertura do lançamento da Frente Brasil Popular
FOTO: Lidyane Ponciano

Mais de duas mil pessoas passaram o dia no espaço livre da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, a partir da manhã desse sábado (5) para discutir alternativas para a crise política e econômica brasileira no lançamento da Frente Brasil Popular.

Foi a primeira vez, desde as Diretas Já em 1984, que uma ampla coalizão de centenas de lideranças e representações de movimentos populares, sociais, sindicais, estudantis, forças e representações políticas de esquerda estiveram juntas para defender o estado democrático brasileiro.

A Conferência Nacional em Defesa da Democracia e por uma Nova Política Econômica demonstrou uma grande força de unidade de entidades progressistas e partidos de esquerda. O principal objetivo é barrar a escalada antidemocrática oposicionista para defender o mandato da presidenta Dilma Roussef, combater o golpismo pregado pela aliança formada pelas forças conservadoras e direitistas, que têm o apoio da grande mídia.

O ex-presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, falou da importância do lançamento dessa frente em Minas, terra do senador Aécio Neves e onde ele teve sua principal derrota nas últimas eleições. Renato lembrou que a criação de uma frente popular que reúne a esquerda já foi proposta pelo partido há dois anos. “Durante o último congresso, definimos que era preciso um bloco de afinidade de esquerda, formada por partidos de esquerda, grupos de esquerda, movimentos sociais e personalidades com afinidades. O PCdoB participa dando foco a algumas questões que são fundamentais hoje, lutando contra as maiores ameaças: como o golpismo, a luta pela democracia e defesa do mandato da presidenta”.

Para Renato, outra questão importante é taxar as grandes fortunas, para que os ricos paguem sua parte na crise. “Defendemos voltar a CPMF para a saúde, além de combater o financiamento empresarial em campanhas políticas, que já derrubamos no Senado, e também a defesa da Petrobrás e da engenharia nacional”.

O lançamento contou com a presença de variadas frentes dos movimentos sociais, entre sindicalistas, trabalhadores dos movimentos sem terra, os que defendem habitação, pastorais sociais, igrejas, movimento negro, LGBT, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CBT) e Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidades do movimento estudantil, entre elas a UNE, além de personalidades, parlamentares e demais políticos de diversas regiões do Brasil. Compuseram a mesa de abertura o presidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile e Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a presidente da CUT Minas, Beatriz Cerqueira, que representaram a organização do ato.

Entre as bandeiras apresentadas, além da defesa da democracia, muito foi falado sobre a necessidade do governo atender o pedido dos movimentos para a necessidade de mudanças na economia, com uma nova política de juros mais baixos, que desonere o bolso dos trabalhadores sem ferir os direitos conquistados. Outra questão defendida foi a necessidades de se taxar as grandes fortunas e heranças, para gerar mais recursos para investimento nos programas sociais, além da necessidade da reforma política a partir do fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, como medida central para combater na raiz a corrupção. “Essa frente nacional rearticula os movimentos sociais para enfrentar a crise política e crise econômica que está em curso no país, manter as nossas conquistas e nossos direitos através das nossas lutas. Vamos combater e repudiar toda tentativa de golpear a democracia. Nós temos uma outra posição em relação à política econômica do atual governo, com a qual não concordamos”, defende Carina Vitral, presidenta da UNE.

Após a abertura, a Conferência prosseguiu com grupos de discussão temáticos até o início da tarde, tratando além dos eixos centrais para enfrentamento da crise, questões como avanços nas políticas raciais e de gênero que melhor atendam e compreendam a diversidade da sociedade brasileira.

Na plenária final, estiveram ainda presentes Nivaldo Santana, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Beatriz Cerqueira, da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), representantes de entidades do movimento negro, de mulheres, LGBT, dos movimentos populares, vilas e favelas, o vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, os deputados federais do PCdoB, Wadson Ribeiro, Jô Moraes e a líder do partido na Câmara Federal, Jandira Feghali, o ex-ministro e ex-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, Tarso Genro (PT), ex-governador do Rio Grande do Sul, os senadores Lindberg Farias (PT) e Roberto Requião (PMDB), Luzianne Lins, deputada federal (PT-CE), além de Nilmário Miranda, secretário de Estado de Direitos Humanos de Minas Gerais, representando o governador Fernando Pimentel, entre muitos parlamentares mineiros presentes.

A deputada Jandira Feghali analisou que na Conferência “estão os representantes da luta do povo brasileiro, que sabem superar toda e qualquer adversidade. Mas lutar na adversidade é o nosso grande desafio. A gente luta na adversidade contra uma mídia golpista que tenta apagar a memória do povo brasileiro, porque nós tivemos conquistas sim, que não são conquistas apenas do governo, mas do povo”.

Ao final, como uma das principais ações da agenda a ser construída pela Frente Brasil Popular, ficou decido um grande ato nacional em defesa da Petrobrás, no dia 13 de outubro, data que se comemora o aniversário da estatal. Para marcar o lançamento da frente, foi lido o Manifesto ao Povo Brasileiro, na íntegra abaixo:

Manifesto ao Povo Brasileiro
Vivemos um momento de crise. Crise internacional do capitalismo, crise econômica e política em vários países vizinhos e no Brasil. Correm grave perigo os direitos e as aspirações fundamentais do povo brasileiro: ao emprego, ao bem-estar social, às liberdades democráticas, à soberania nacional, à integração com os países vizinhos.

Para defender nossos direitos e aspirações, para defender a democracia e outra política econômica, para defender a soberania nacional e a integraççao regional, para defender transformações profundas em nosso país, milhares de brasileiros e brasileiras de todas as regiões do país, cidadãos e cidadãs, artistas, intelectuais, religiosos, parlamentares e governantes, assim como integrantes e representantes de movimentos populares, sindicais, partidos políticos e pastorais, indígenas e quilombolas, negros e negras, LGBT, mulheres e juventude, realizamos esta Conferência Nacional onde decidimos criar a Frente Brasil Popular.

Nossos objetivos são:

1- Defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: melhorias das condições de vida, emprego, salário, aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público!

Lutamos contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiram direitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas de serviços públicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. Defendemos uma política econômica voltada para o desenvolvimento com distribuição de renda.

Lutamos contra a especulação financeira nacional e internacional, que transfere para uma minoria, por vias legais ou ilegais, através da corrupção e de contas bancárias secretas, parte importante da riqueza produzida pelo povo brasileiro! Lutamos por uma reforma tributária que – por meio de medidas como o imposto sobre grandes fortunas e a auditoria da dívida – faça os ricos pagarem a conta da crise.

2.Ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país.

Lutamos contra o golpismo – parlamentar, judiciário ou midiático – que ameaça a vontade expressa pelo povo nas urnas, as liberdades democráticas e o caráter laico do Estado!

Lutamos por uma reforma política soberana e popular, que fortaleça a participação direta do povo nas decisões políticas do País, garanta a devida representação dos trabalhadores, negros e mulheres, impeça o sequestro da democracia pelo dinheiro e proíba o financiamento empresarial das campanhas eleitorais!

Lutamos contra a criminalização dos movimentos sociais e da política, contra a corrupção e a partidarização da justiça, contra a redução da maioridade penal e o extermínio da juventude pobre e negra das periferias, contra o machismo e a homofobia, contra o racismo e a violência que mata indígenas e quilombolas!

3. Promover reformas estruturais para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular: reforma do Estado, reforma política, reforma do poder judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização do Sistema Únnico de Saúde, reforma educacional e reforma tributária!

Lutamos pela democratização dos meios de comunicação de massa e pelo fortalecimento das mídias populares, para que o povo tenha acesso a uma informação plural, tal como está exposto na Lei da Mídia Democrática.


4.Defender a soberania nacional: o povo é o dono das riquezas naturais, que não podem ser entregues às transnacionais e seus sócios! Lutamos em defesa da soberania energética, a começar pelo Pré-Sal, a Lei da Partilha, a Petrobrás, o desenvolvimento de ciência e tecnologia, engenharia e de uma política de industrialização nacional! 

Lutamos em defesa da soberania alimentar e em defesa do meio ambiente, sem o qual não haverá futuro.


Lutamos contra as forças do capital internacional, que tentam impedir e reverter a integração latino-americana.

Convidamos a todas e a todos que se identificam com esta plataforma a somar-se na construção da Frente Brasil Popular.

O povo brasileiro sabe que é fácil sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Mas sabe, também, que sonho que se sonha junto pode se tornar realidade.

Vamos lutar juntos por nossos sonhos!
Viva a Frente Brasil Popular!
Viva o povo brasieiro!

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, Setembro de 2015

Fonte: Portal Vermelho

domingo, 9 de agosto de 2015

O ódio de classe e a reação conservadora das novas e velhas elites



O cotidiano vem mostrando que nenhuma forma de poder se esgota nas suas esferas governamentais e a luta política, por sua vez, se estabelece para além dos períodos eleitoreiros. Enganam-se quem acredita que os domínios do poder político se encerram na burocracia e nos órgãos estatais, pelo contrário, nesses espaços temos apenas projeções que são lançadas a partir das instituições e dos aparelhos ideológicos que nos cercam. E o golpismo político que estamos vivenciando é uma das provas disso.

As críticas e o denuncismo que estão sendo colocadas contra os governos populares que se estabeleceram nos países da América Latina, sobretudo no Brasil, não se efetivam à luz da realidade concreta. Todos os discursos colocados contra as políticas afirmativas, sociais, inclusivas e distributivas são reações conservadoras que se oxigenam muito mais pelos processos históricos e sociais  que constituíram os padrões culturais hegemônicos da população, do que pela vida real.

O ódio de classe que estamos vivenciando é exemplo disso. Os estratos sociais que tradicionalmente usufruem dos prestígios e das riquezas da sociedade, ainda que mantido seus status, não conseguem conceber a inclusão e a mobilidade social de outros setores. Não aceitam que as classes populares acessem os mesmos serviços ou consumam os mesmos bens que a outrora eram exclusivamente seus. As reações a essas mudanças são violentas, sobretudo simbolicamente.

Esse estranhamento é justificado pelos valores culturais que, embora existentes, não são socialmente expressos. Há um conservadorismo tácito. Esse reside nos olhares, nas reprovações morais e nas relações privadas dentro das "salas de jantar" das tradicionais e médias famílias brasileiras. E a medida em que esses valores são colocados em xeque e enfrentados, a reação conservadora ganha força, descortinando as raízes dos processos históricos e sociais que alicerçam a sociedade.

Em meio ao atual cenário e as tentativas de desestabilização dos governos de esquerda a partir de imposição de golpes e judicialização/criminalização da política (e da esquerda) é preciso considerar que os países latinos ainda convivem com várias chagas herdadas de um passado não tão distantes. A maioria desses países viveram fases de exploração colonial, efetivação de um capitalismo tardio e por vias prussianas de desenvolvimento à luz de valores imperialistas. Esses fatos influenciaram junto a outros fatores de ordem cultural, a construção de um tecido social conservador, sexista, patriarcal e racista. 

Diante disso, incluir a população negra nas universidades, desafiar os obstáculos e enfrentar os grilhões postos para as mulheres visando a sua eterna submissão ao julgo masculino, criar políticas de assistenciais e aumentar o poder de compra das classes sociais mais pobres são alguns exemplos que, ao serem efetivados pelos governos populares desencadeou a reação conservadora e instituiu o ódio de classe que vivenciamos nos últimos meses.

O problema não é na forma e na condução do governo ou da gestão do Estado. A crise é axiomática, produzida pela dialética. O Estado ainda é o mesmo, seus vícios ainda persistem, mas a luta de classes vem se acentuando trazendo riscos eminentes para os governos progressistas e populares.

Para acentuar esses embates, temos uma crise econômica do Capital que nesse ambiente de hostilidade, se tornou objeto político e contextualiza a ascensão de pautas atrasadas e desconectadas com o interesse da classe trabalhadora. Ao invés de vivenciarmos um momento propositivo para apresentação de novas alternativas à política econômica, visto que o atual sistema está mostrando sinais evidentes de falência, o que se percebe é uma reafirmação de visões conservadoras e anacrônicas ao nosso tempo.

Nesse contexto, enfrentar os desafios postos e desestruturar a moral burguesa instituída é o centro desse debate. A luta de classe está presente nos mais diversos espaços, do parlamento à mesa de bar. Precisamos ganhar uma das mais árduas batalhas, pois é o desenvolvimento das forças produtivas e a continuidade das mudanças que estão em jogo. E para isso, entender a luta política na sua real complexidade, fazer a reflexão e o entendimento da vida concreta e estabelecer bem os conceitos e as práticas revolucionárias de nosso tempo, são exercícios essenciais para acumularmos forças, ganharmos aliados e enfrentar com coragem, as reações conservadoras que estão travando o desenvolvimento e a soberania do povo.

Por Wallace Melo - Secretário de Comunicação Social do Sinpro - Pernambuco e Secretário de Jovens Trabalhadores da CTB/Pernambuco.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um país que luta por reformas:Reformas Políticas Democráticas e Eleições Limpas


 Por Wallace Melo

Iniciou-se na última sexta-feira (20) um importante processo de mobilização e debate a respeito da necessidade de se construir um novo panorama social no país, a partir de uma ampla reforma política democrática e através da instituição de processos eleitorais libertos dos nebulosos financiamentos praticados elos grandes setores empresariais, no intuito de garantirem a defesa, ampliação e materialização dos seus interesses e privilégios dentro diversos espaços institucionais.

Diante dessa conjuntura, a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, espaço que congrega várias entidades representativas, a exemplo da OAB, CNBB, CTB, CUT, CONTEE, UNE, UBES, MST etc. realizará entre os dias 20 e 29 de março uma grande semana de mobilização nacional, visando ampliar o debate sobre projeto de Lei nº 6316/2013 e coletar assinaturas para assim fortalecer a legitimidade do PL perante os diversos segmentos e setores da população.

Temos aqui uma iniciativa significativa e relevante para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, uma vez que, dentro desse processo, o que está em jogo são as regras de regulam a participação, o voto, a transparência eleitoral e a representação política nas estruturas e instituições brasileiras, além disso, também é necessário pontuar que o PL 6316/2013 representa o conjunto de questionamentos feitos sobre a PEC 344/2013 e a 352/2013, emendas essas que materializam a intenção de consolidar dentro do sistema eleitoral brasileiro um conjunto de elementos que ferem a democracia e a legitimidade dos partidos e da representação no país.

Dentre as propostas contidas no PL 6316/2013 podemos destacar os seguintes pontos: necessidade de se proibir o financiamento de campanhas políticas por empresários e adoção de um sistema de financiamento democrático de campanha, eleições proporcionais em dois turnos, paridade de gênero na lista pré-ordenada e fortalecimento dos mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade nos importantes espaços de decisões nacionais. Temos no projeto de lei, um conjunto de pautas que estão na ordem do dia do povo brasileiro, no entanto ainda é necessário que essas sejam colocadas na agenda pública do Estado.

Esses elementos, se materializados a partir dessa reforma, trará para o Estado brasileiro uma dinâmica mais legítima, democrática e transparente, sendo capaz de oferecer à população um poder de decisão e participação muito maior e mais eficiente, possibilitando assim, que acumulemos mais forças para que se concretize outros avanços e reformas necessárias, assim como o combate às desigualdades e contradições sociais que estão historicamente presentes no cotidiano dos brasileiros.

Diante disso, é preciso que nesses dias, ampliemos as mobilizações e a articulação política com representantes do poder legislativo municipal e estadual (vereadores e deputados estaduais), bem como, com outros segmentos da sociedade civil e entidades para que também manifestem seu apoio ao projeto, divulguem seus objetivos, debatam com o povo, promovam atividades públicas e coletem assinaturas, para que assim, o Projeto de Iniciativa Popular da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas seja colocado como alternativa real à PECs da contrarreforma que foram apresentadas e que – para a felicidade dos setores mais reacionários - estão sendo debatidas pelos parlamentares que compões o Congresso Nacional.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cuba um exemplo a ser seguido

Por Jocimar Gonçalves

A história nos mostra que só com a luta é possível alcançar o que tanto almejamos. O povo cubano é um exemplo vivo disto: durante cinquenta e seis anos, esta pequena ilha localizada na América Central com uma população média de 11,2 milhões de habitantes travou grandes lutas para levar a todos uma vida digna e igualitária, e foi necessária uma verdadeira revolução para que esse sonho fosse conquistado. Logo após esta conquista os cubanos sofreram um grande golpe devido ao bloqueio econômico, imposto pelos Estados Unidos da América (EUA), a fim de forçar a ilha a se entregar, voltando assim, a ficar nas mãos de uma minoria as riquezas de todos. O único país com o qual esta ilha socialista manteve seu comércio ativo foi a antiga União Soviética (URSS) que importava os principais produtos cubanos, por exemplo, açúcar, arroz e tabaco.

Contudo, com a desintegração da URSS, em 1991, Cuba passou a enfrentar diversos problemas de cunho econômico. Mas o povo resistiu bravamente. Além disso, os ianques, como são chamados os norte-americanos, ainda mantiveram presos cinco cubanos usando acusações de terrorismo como justificativa, quando na verdade, estes homens estavam a serviço de seus país protegendo sua soberania. A pior de todas as contradições é que o país mais terrorista que existe são os EUA, que impõem sanções absurdas contra aqueles que ousam desafiá-los. Sem falar nos gastos exorbitantes com armas e bombas que oficialmente é muito difícil tomar conhecimento do verdadeiro montante orçamentário que os norte-americanos gastam em armas, mas especula-se que gire em torno de US$ 1,1 trilhão de dólares que obviamente não serão utilizados para fins pacíficos.

No dia 17 de Dezembro 2014 após cinquenta e três anos do embargo econômico, o mundo foi surpreendido com a notícia de que o presidente americano Barack Obama assinara um decreto que derrubaria o embargo que impediu o desenvolvimento de Cuba em diversos âmbitos. Ficamos imaginando como uma pequena ilha que sofreu todos esses ataques conseguiu resistir a maior potência bélica do universo, e fez com que sua história não se resumisse nos livros apenas em uma revolução armada; O povo foi muito além e estendeu essa revolução à educação, tornando-a exemplo para o mundo, garantindo sua distribuição com qualidade desde a pré- alfabetização até ao nível superior; e à saúde que é realmente oferecida como direto de todos e com qualidade. Uma prova disso é que o atual governo brasileiro fez um acordo com o referido país com o intuito de trazer médicos para o Brasil, para atuar em áreas onde antes não havia sequer perspectiva de uma vida saudável, dentre outras necessidades.

Hoje o que se esperar com o fim do embargo econômico é que a ilha cubana possa mostrar para todos que é possível garantir uma vida digna e igualitária, onde todos trabalham e todos ganham, diferente do sistema capitalista em que vivemos, onde passamos a vida toda nos dedicando ao trabalho e apenas uma pessoa, "o patrão", é que realmente usufrui dos frutos desse trabalho. Tão contraditório é este sistema que faz com que muitos levantem arranha-céus sem sequer possuir um teto para abrigar suas famílias.

Tomemos os cubanos como exemplo e arregacemos as mangas rumo a um Brasil igual, soberano e livre de todas as mazelas desse sistema. Sim, é possível! Muitos vão nos falar que isso é que coisa de comunistas, outros vão preferir ouvir o que os meios de comunicação de massa têm a dizer mas, se ousarmos transformar nossas ideias e pararmos para pensar o quanto o nosso país é rico e que essa riqueza fica apenas a disposição de uns poucos, mudaremos nossa opinião. 

Lembremos que no país, apenas cinco famílias são "donas" de toda riqueza que existente em nossa pátria, juntas somam 122 bilhões de dólares ou o equivalente a 5% do PIB, são elas: A família Marinho (rede globo), família Safra (banco safra), família Ermirio de Morais (grupo Votorantim), família Moreira Salles (banqueiros) e a família Camargo (Camargo Corrêa), será que eles são os verdadeiros donos? Ou somos nós que nos levantamos todos os dias ás cinco da manhã para ir trabalhar, chegamos em casa após às 19 horas e nem sequer temos tempo para aproveitar nossas famílias. Nossos salários são suficientes somente para pagar as contas como água, luz e aluguel. E onde fica nosso direito a lazer que é constitucional? Pergunte-se qual foi a última vez que você saiu com sua família para aproveitar um fim de semana? Falando em fim de semana, até isso estão nos tirando, somos obrigados a trabalhar até nos sábados e domingos para bater metas, detalhe, metas que somente deixarão nossos patrões mais ricos. Na bandeira do Brasil vê-se gravada a frase "Ordem e Progresso". A ordem mal existe. O progresso, se existe, é somente para os ricos. Por isso precisamos continuar lutando. Precisamos nos organizar nos sindicatos, associações, entidades que lutem pelos direitos de todos; Está chegando a hora de os brasileiros mudarem sua história, seja de forma pacifica, ou a exemplo do heroico povo cubano.